Filme: Soul Surfer - Coragem de Viver



Sinopse:
Bethany Hamilton (AnnaSophia Robb) é uma adolescente apaixonada pelo surfe, o que a transformou numa campeã do esporte. Mas um dia sua sorte mudou e ela foi atacada por um tubarão, que arrancou um de seus braços. Apesar de parecer que tudo estava perdido, com o apoio dos pais (Dennis Quaid e Helen Hunt), da melhor amiga Sarah (Carrie Underwood) e das inúmeras cartas que recebe dos fãs, Hamilton cria coragem e junta forças para reaprender a pegar onda, respeitando seus limites, mas nunca abandonando sua vocação de vencedora.

Trailer:



Na semana passada ouvi o meu técnico, Diego Calado, comentando sobre um filme muito bonito ao qual ele tinha assistido e, como sou curiosa, quis saber de qual filme se tratava. “Soul Surfer”, ele respondeu, “conta a história de uma surfista que perdeu um dos braços num ataque de tubarão, mas, contra todas as possibilidades, reaprendeu a viver e a surfar”. Não preciso dizer que senti uma vontade enorme de ver o filme, não é mesmo? De algum modo, eu sabia que ver esse filme seria muito inspirador pra mim. Histórias assim, que se assemelham tanto com a minha, sempre me emocionam e me dão um ânimo ainda maior para vencer os meus próprios obstáculos.

Bethany nasceu no Hawaii, numa família de surfistas e, como era de se esperar, Bethany herdou essa paixão pelo surf. Desde o início do filme nota-se, entre ondas perfeitas e caldos verdadeiramente desconcertantes, a união da família Hamilton.
A melhor amiga de Bethany era Alana Blanchard, elas cresceram pegando ondas juntas. Mas, certo dia, durante um treinamento, em Turtle Bay, para uma competição regional de surf, aconteceu algo que mudaria para sempre a vida de Bethany.
Bethany e Alana estavam descansando e conversando em cima de suas pranchas, no meio do mar, quando, de repente, surgiu um tubarão de aproximadamente 43 metros e, velozmente, atacou Bethany. O tubarão abocanhou o braço esquerdo de Bethany e ela teve que o amputar quase na altura do ombro. Bethany perdeu quase 60% de seu sangue. O médico que a operou disse aos pais de Bethany que o fato de ela ter sido socorrida rapidamente foi decisivo para que ela tivesse sobrevivido, mas que, principalmente, ele considerava Bethany um “milagre vivo”.


Bethany só tinha 13 anos quando tudo isso aconteceu, mas foi valente o suficiente para suportar o trauma do acidente, tanto que, ainda no hospital, perguntou ao pai quando poderia voltar a surfar. O pai respondeu “Logo”, Bethany perguntou como ele tinha tanta certeza de que ela poderia mesmo voltar a surfar, então o pai, sabiamente, disse: “Você pode tudo!”. Então, nessa hora Bethany, que desde o início do filme demonstrava ter fé em um ser superior, em Deus, lembrou de um versículo bíblico que diz “Tudo posso naquele que me fortalece...”.

Bethany, como era de se esperar, apesar de sua força e vontade de viver, teve seus momentos de desânimo e de questionar a razão disso tudo ter acontecido com ela. Ela se perguntou se um dia algum rapaz se apaixonaria por ela do jeito que era, sem um braço. Sua mãe, sempre atenciosa e carinhosa, lhe mostrou a imagem de Vênus de Milo, estátua sem os braços, que representa Afrodite, a deusa do amor e da beleza, e acrescentou que Bethany, na hora certa, encontraria um rapaz que iria amá-la exatamente como ela era. Ela se frustrou quando provou a sua primeira prótese e percebeu que não lhe proporcionaria metade dos movimentos que ela gostaria que proporcionasse.

Bethany precisou se adaptar a viver sem um braço. Não foi fácil, claro, mas ela conseguiu. Quando se sentiu segura novamente para surfar, caiu no mar para pegar as suas primeiras ondas depois do acidente. Mais uma vez, não foi fácil, mas ela, novamente, conseguiu. Voltou a treinar para o regional. Competiu, mas, infelizmente, se saiu mal porque as ondas foram muito maiores e mais fortes do que ela esperava que fossem. Foi um dos momentos difíceis da vida dela. Ela desistiu do surf, deu todas as pranchas que ela tinha e pensou que tudo estivesse mesmo acabado. Ela não sabia bem o que fazer. Ela adorava surfar e queria ser uma surfista profissional, mas ela não conseguia mais surfar como antes, e competir parece que estava fora de questão.

Houve um tsunami na Tailândia e a pastora da igreja que Bethany fazia parte reuniu um grupo de jovens para ir até lá ajudar, e Bethany estava entre esses jovens. Foi lá que Bethany encontrou um menininho muito especial que, enquanto ela brincava com ele na areia da praia, o ensinando a surfar, ele a ensinou que surfar não era a coisa mais importante nessa vida. Mas, principalmente, a ensinou que nada estava perdido, que ela era capaz de vencer os próprios medos e todos os obstáculos que se colocassem em seu caminho. Depois dessa viagem edificante para a Tailândia e das cartas que recebeu dos fãs, que diziam que ela não poderia desistir do surf, que eles acreditavam nela, que ela os inspirava, ela voltou a pensar em surfar e a competir. Só precisava que o pai fizesse uma adaptação em suas pranchas para que ela pudesse surfar melhor e não ficar em desvantagem em relação às outras competidoras. E o pai, genial, bolou uma adaptação para as pranchas de Bethany e, hoje, ela é uma grande surfista profissional, mas principalmente um grande ser humano, que venceu os próprios traumas, se adaptou ao seu novo estilo de vida e inspirou (e inspira) tantas pessoas pelo mundo com a sua coragem de viver.

É um filme lindo, mesmo. Apesar de a minha deficiência ser congênita e, consequentemente, tenha crescido sabendo como viver sem uma mão e um pé, me identifiquei bastante com a Bethany, com as suas dificuldades, mas, principalmente, com as suas superações. Com certeza, me lembrarei dessa história sempre que bater um desânimo, uma tristeza por algum motivo, porque sei que me encherei de coragem e força novamente.

Destaquei algumas falas de Bethany que me tocaram bastante:

“Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, isso é eufemismo. Quem diria que, ao ensinar àquele menino a surfar, eu estaria ensinando a mim mesma que surfar não é a coisa mais importante do mundo. E que tem mais: o amor é maior do que qualquer tsunami e mais poderoso que qualquer medo.”

“Aprendi que a vida é como o surf: quando você se embola numa onda, precisa se recuperar rápido, porque nunca se sabe o que vem na próxima onda. E se você tiver fé, tudo é possível. Tudo mesmo.”

O post de hoje ficou gigantesco, mas acredito que não tenha ficado tedioso de ler. Vejam o filme, sério, e depois me digam o que acharam dele.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

8 comentários:

Pandora disse...

Lindo post, linda história e sua forma de contar também! Sempre acho que atletas tem um q de heróis, eles não ensinam lições preciosas, não importa o obstaculo, nem o tempo que vc vá demorar a superar, o importante é não desistir!!!

Fê Iasi disse...

bóra surfar na vida! bjo!

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

amei o post :P
a e parece ser interessante a historia do filme.

Tita disse...

Lindo! E a maneira como você conta a história me fez sentir dentro dos acontecimentos. E é maravilhosa essa lição do filme que você conta. Você sabe como detesto quando as pessoas falam as coisas sem pensar. E uma das coisas que sempre questiono é quando falam "o importante é ter saúde!" Sempre digo que não, que o importante é a pessoa ter paz e amor no coração. Porque tendo isso ela consegue enfrentar ou ao menos suportar todas as dificuldades.
Muitas pessoas não conseguem ser felizes porque se vitimizam, ficam com "peninha" de si mesmas. Eu mesma já passei por isso (já falei que meu barco já bateu em muitas pedras). Então, um dia, recebi uma frase que me fez acordar. Ela dizia: "A tristeza fecha perspectivas e as limita em si mesma. Você não merece isso. Levante e ande!"
Obrigada pelo belíssimo texto e, principalmente, por compartilhar esses aprendizados conosco.

Allyne Araújo disse...

Historias como essas me emocionam e me dão um gás danado para continuar! Não vou lembrar de tudo que a gente falou por sms a respeito desse post,mas o que posso dizer é que cara, vc presenteou com sua emoção e com a reflexão acerca deste filme. Muito obrigada Erica! bjooo

Larissa disse...

Linda história!

Ana Seerig disse...

Um filme, baseado em fatos reais, que eu tenho por base é "Poder além da vida". O cara não perdeu um braço ou uma perna, mas mesmo assim foi dito a ele que sua vida de atleta estava acabada, mesmo que ele não tenha ficado paraplégico, o que era possível pelo acidente. É uma história linda.
Outro que fala disso, um filme infantil com uma lição linda, é "Como treinar seu dragão", em que o guri faz amizade com o dragão mais perigoso existente ao ajudá-lo a voar, coisa que ele não podia fazer por ter uma deficiência.
É a tal história: não há força de vontade que seja insuficiente pra realizar um desejo.

Erica Ferro disse...

Pandora, é isso mesmo, o que importa é não desistir. Somos mais fortes do que julgamos ser. :D

, booora! ;D

Ana Carolina, a história é bem mais que interessante. Veja o filme e se emocione. A história de Bethany é inspiradora.

Tita, que lindo o seu comentário! É isso aí, o que importa é ter paz e amor no coração. O que importa é enfrentar os desafios com bravura, pois isso, com certeza, faz toda a diferença na nossa vida.

Allyne, essas histórias nos emocionam mesmo, não é? Fico feliz que você tenha sido tocada pelo meu post e se emocionado comigo.

Larissa, linda mesmo!

Ana Seerig, você já me falou de "Poder além da vida", verei em breve. "Como treinar o seu dragão" deve ser um filme bonito, aliás, quase todas as animações nos dão belas lições. Já ouvi falar da série de livros em que o filme foi baseado.
Enfim, veja "Soul Surfer", mais pela história de Bethany do que por ser uma super produção (porque, apesar de não entender de cinema, desconfio que não é). Vale a pena.