Elas respondem: F1 e futebol

Que homem nunca se deparou com uma mulher que soubesse ou gostasse mais de futebol ou F1 que ele mesmo? Já não é mais surpresa para ninguém notar que o número de torcedoras e fãs da ala feminina só vem aumentando. E a tendência é que seja cada vez mais comum que mulheres e homens debatam igualmente sobre esses assuntos ditos como “papo de homem”.

Meu post-entrevista não é feminista como muitos poderão julgar e, sim, tem o intuito de abordar como as meninas se tornaram aficionadas por essas modalidades; como se comportam diante dos preconceitos e veem as oportunidades que surgem para mulheres nesses esportes.

Quem responde sobre F1 é Vanessa Bittencourt, de 23 anos e blogueira do Caixinha de Opiniões. E sobre futebol é a parceira de G.A., Ana Seerig, de 19 anos e blogueira também no Alguma coisa a mais pra ti ler... Mas antes acompanhem uma perguntinha geral.

1. Sabemos que os dois esportes, F1 e futebol, eram exclusivamente masculinos. Como os homens a encara quando começa a opinar sobre os mesmos? Já passou por alguma situação em que seus conhecimentos sobre o assunto foi colocado em desafio?

V.B.: Os homens geralmente ficam assustados com meu interesse em F1 e também futebol. E sempre rola a piadinha: “ah, mulher só gosta desses esportes por causa dos jogadores/pilotos bonitinhos”. No caso de F1, que obviamente no Brasil não é um esporte tão popular quanto futebol, a resistência às mulheres torcedoras é bem pior. Acho que sou testada toda vez que entro em alguma discussão nos fóruns, mas meu interesse pela história do esporte e minha atenção com relação às notícias bem recentes acabam me favorecendo.

A.S.: Apesar de ter sido uma das influências pra que eu gostasse de futebol, meu pai, no começo, não gostava muito disso. Ele jurava que eu ia acabar me casando com um jogador de futebol de esquina por puro fanatismo. Ou temia que eu fosse lésbica, sei lá. Mas com o passar do tempo ele aceitou. Até admite que eu sei mais que ele sobre o assunto, até porquê eu acompanho mais. Quanto a falar sobre futebol, nunca tive problema nenhum, como escutar um "mulher não entende de futebol", aliás, pelo contrário, eu digo que não entendo ou que jogava mal na escola e meus amigos dizem que eu entendo sim ou que eu jogava bem. Optei por não falar em futebol há um tempo atrás. Não por não crer que não entendo ou pela visão dos homens, mas sim porque é um assunto que alguns não sabem debater sem levar a coisa ao extremo. Converso sobre só com quem eu sei que é tranquilo ou durante os jogos mesmo, no mais, eu evito. Mas acho que vale falar da questão cultural aqui do sul, onde homens e mulheres se interessam por futebol e é comum ver mulheres em estádios ou andando com camisetas de time.


F1 – Vanessa
2. Como surgiu o seu interesse por F1?

Gosto de F1 desde que tinha uns 4 anos. Lembro de assistir as corridas do Senna sentada na poltrona ao lado do meu avô. Foi um interesse que passou de geração em geração.

3. Na hora de escolher para quem torcer, o que conta é o desempenho do piloto nas temporadas ou você é verdadeiramente fã de algum específico, independente dos resultados?

Eu gosto de muitos pilotos, dos que estão em equipe de ponta aos que estão no meio e fim do grid. Claro que é bom ver o seu piloto vencendo, mas não viro as costas para os que estão numa fase ruim ou para os que ainda tentam provar alguma coisa. Hoje torço para pilotos como Felipe Massa e Kimi Räikkönen, mas também para pilotos que estão em situação precária, ou seja, em equipes que estão mais para tartarugas, como Heikki Kovalainen e o meu preferido, Timo Glock. Fã que é fã não é aquele que se acomoda torcendo sempre pra quem está na frente.

4. Na Fórmula Truck temos Débora Rodrigues e outras quatro mulheres na Fórmula Indy como pilotas. Para você, como é encarar Maria de Villota como pilota teste na equipe da Marussia nessa temporada de 2012? Já passou da hora de mulheres começarem a participar competitivamente da F1?

Vou sentir muito orgulho quando uma mulher puder voltar a disputar uma corrida de F1. Há 20 anos não se vê isso. Não sei se a Maria de Villota vai ter mesmo chances de participar de pelo menos um treino livre na F1 e não se pode desconsiderar também o fato da Marussia ser uma equipe que enfrenta muitas dificuldades. Mas só o fato da Maria estar ali já tem um significado muito importante.


Futebol - Ana
2.
Qual o seu time de coração e por que você torce para esse time?

Grêmio. E Juventude. Por quê? Pelo natural: família. Cresci com meu pai e meu vizinho (meu avô de coração) falando em Grêmio. Ai de um Seerig dizer que não era gremista! (Antes era meu pai que se estressaria com isso, hoje sou eu.) Também falavam os dois em Juventude. A justificativa do meu pai pra torcer pro Ju e não pro Caxias, o outro time da cidade, é o seguinte: não se torce pra time de vermelho (o Caxias é Grená - e vai ficar conhecido agora que tem um ator da Globo treinando pra um papel de uma novela da Globo no Caxias). Verdade ou não, o fato é que sou gremista e juventudista por uma questão puramente familiar, apesar de outras desculpas que eu possa dar por aí.

3. É evidente que falta incentivo para o futebol feminino. Você acha que a falta de investimento ocorre devido ao preconceito tanto de patrocinadores como pela falta de interesse do público?

Acho que, no geral, é falta de interesse. Isso não é só uma questão do Brasil, mas mundial. A força da torcida está no futebol masculino, tal como o interessados por moda se apegam mais as modelos mulheres do que aos homens. É algo puramente cultural, não creio que há preconceito. Deve-se levar em conta a questão histórica. O futebol feminino é muito recente, tá procurando espaço, tal como o futebol quando foi criado buscou. Levou-se décadas pra que o futebol fosse aceito como esporte, e a prática feminina também vai ter que lutar pra conseguir seu reconhecimento.

4. Programas como “Belas na Rede” transmitido na Redetv, todos os domingos, para você é um programa que tende a tentar atrair as mulheres para o assunto ou é mais uma jogada de marketing para atrair o público masculino?

Primeiro de tudo, não assisto esses programas, então não posso dizercom segurança. De modo geral, acho que futebol, como tantos outros assuntos, quando têm espaços exclusivamente feminino não é por ser um modo de reconhecimento à opinião feminina. Defendo a naturalidade. Há mulheres por aí em programas esportivos, os quais, admitamos, são mais da metade sobre futebol. Elas estão lá não por serem mulheres, mas por se mostrarem capazes, e isso me é muito mais válido do que um programa futebolístico feito por ou direcionado a mulheres.

Participem e opinem também, galera! Muito obrigada às meninas por participarem dessa mini-pauta. Abraços.

4 comentários:

Erica Ferro disse...

Eu não sei praticamente nada de F1 e sei pouquíssimo, pouquíssimo mesmo, sobre futebol. Antes não via graça em futebol, mas, depois de assistir a uns jogões, vi que realmente é um esporte interessante.
Poréééém, entretaaanto e contuuudo, é óbvio que o meu esporte preferido, tanto pra praticar quanto pra assistir, é a natação, correto? hahaha... :D

Ah, adorei as respostas das meninas!
Ótima entrevista, Babi jornalista! :*

Vanessa Bittencourt disse...

Ah, que honra poder dar o meu depoimento! E adorei as respostas da Ana também! Eu nunca assisti esse “Belas na Rede”, mas vou dar uma olhada sim. Sobre o futebol feminino, concordo sobre a falta de interesse brasileiro. Mas lá fora não é tanto assim e espero que um dia o nosso país também consiga acordar para amar, respeitar e valorizar o futebol feminino.

Ana Seerig disse...

Adorei participar! E gostei das respostas da Vanessa... Me criei com meu pai vendo F1, mas nunca consegui gostar...

Allyne Araújo disse...

Ontem mesmo meu amigo tentava me ensinar futebol... e confesso , só sou fã de futebol na época de copa ou em fim de campeonato, embora torça pro Santos e pro Vasco (esse por influencia do meu pai), mas isso não faz de mim uma pessoa dedicada a tal. Mas acho que essa falta de interesse está na falta de atenção para com os números, sei lá.. é bem mais fácil gostar do que é simples, e futebol não é tão simples assim, pelo menos eu acho. Agora F1 (rali, esportes no ar, entre outros) é um dos meus esportes preferidos! dei um tempo nela por esses dias porque não consegui mais acordar cedo e assistir a tudo.. Adoro velocidade e adrenalina! e formula 1 é maravilhosa pra quem gosta disso.. outra coisa cm qual venho me encantando esses tempos é Luta livre e artes marciais, bem como esportes de adrenalina na água... estes últimos não gosto de perder por nada!!!!!Acredito que esportes é uma área q ainda tenha preconceito, mas como em todos os ambientes isso vem mudando, até porque as mulheres estão se dedicado a querer mais e mais espaços aonde rolem muita atividade e gasto de energia, como dizem as meninas.. Torço pra q um dia as mulheres possam voltar a correr na F1 e que o futebol, o vôlei, o basquete bol femininos possam ganhar igual notoriedade em equivalência para com os times masculinos.. e pra mim é uma questão de aceitação e apostar pra ver! Aê meninas! Adorei a opinião de vcs, o post e as perguntas da Bár! Tão de parabens!!! bjooooooooo