Quarta-feira de cinzas;

Será que você se lembra daquela quarta-feira de cinzas? Não a de fevereiro, a de março. Aquela em que eu fui julgada cinza do seu amor, colocada junto com tuas bitucas de cigarro. Não me entreolha assim com esse ar repetitivo de "tudo bem, sem problemas". Aliás, não me surpreende em nada que você não tenha mudado. Respirar essa sua arrogância me dá náuseas, apesar de que quando te fito ainda me provoca vertigens. Mas me diz, por que você se calou? Até hoje procuro saber o porquê de não falar do que ficou por dizer. Não ficou tudo bem ou sem problemas. Você ateou fogo e o deixou me consumindo. O amor prometido não foi e a atitude cobrada não vingou. E não me venha com "me desculpa". Volta aqui e me encara. Você imagina que, às vezes, eu choro daquele jeito abafado que tanto te irritava né? Fungando, fingindo que não é choro e que vai passar. Eu tô tentando estancar a dor com o peito doído. Sofrendo pela incompletude dos meus dias e pelo carinho não dado. Dói, sabe. Dei o que eu não tinha pra ti e me restou pedir; exigir; perguntar; esmolar um amor que não era meu. Pra no final ser eu, ser só. Agora você já foi. E não precisar me olhar com dó. É que dá vontade de entender o porquê, mas talvez seja pr'eu não entender - nem você, nem o amor. Mas antes faz o seguinte, joga minhas cinzas num canteiro florido qualquer, assim eu desocupo teu cinzeiro e me recomponho a outro elemento em paz.

3 comentários:

Luciana Brito disse...

Nossa, que texto é esse?
Gosto desse tipo de escrita, como se a gente estivesse revoltada como que aconteceu, mas também cheia de mágoa e dor. Dores da vida são chatas.

Beijo, gurias!

Alê Lemos disse...

Um bom texto é aquele que todo mundo se identifica, mas que ninguém sabe exatamente o que o autor tá falando. Parabéns, tá escorrendo sentimento desse texto tão curto. beijos!

Allyne Araújo disse...

emoçao pura e as claras. Isso ai! gostei. bjao