Eu podia tá matando


Eu sempre pensei se dar esmolas era uma atitude errada. Se com isso eu poderia estar alimentando essa prática, e desencorajando os pedintes de procurar uma outra fonte de renda, um trabalho. Afinal, estamos em São Paulo, o que não falta aqui é emprego. Seja em empresas, seja vendendo balinha na rua.
O que mais me sensibiliza são pedintes crianças. Lugar de criança é brincando e estudando e não trabalhando, seja de que forma for. E criança é criança em qualque lugar do mundo.
Outra coisa que me sensibiliza são deficientes físicos. Por mais que eles possam trabalhar, hoje em dia as coisas estão mais fáceis, mais acessíveis... mas ainda me sensibiliza vê-los nessa situação.
Hoje entrou um deficiente no ônibus. Distribuiu seu papelzinho de mão em mão. E como toda vez, eu não paro de pensar que será uma especie de boa ação do dia ajudá-los. Mas na maioria das vezes não ajudo. Pensei, pensei e não dei nada para o pobre homem.
O ônibus quebrou, descemos todos e logo chegou um ônibus que servia pra mim. Entrei, e logo atrás o pedinte deficiente. Sentei ao fundo e lá veio ele entregar seu papelzinho pra mim novamente. Não peguei o papel. Peguei algumas moedas que tinha na carteira, e dei a ele. 
Duas vezes ignorá-lo não é do meu feitio.
Talvez não seja a atitude certa dar esmolas.
Mas por ora, segui minha viajem de consciencia tranquila.

Postado dia 25/04/2010 no Penso, Logo...Blogo!

7 comentários:

Dama de Cinzas disse...

Pois é Dayane, eles ganham em cima da culpa que provocam em cima dos outros. Como se a gente não ajudar, estaria jogando eles numa situação ainda pior.

Mas te digo que trabalho com uma menina que anda com muita dificuldade mesmo, ela precisa de alguém que a leve. Mesmo assim ela se formou em direito, passou num concurso público e hoje trabalha comigo e é um exemplo de ser humano. Ela nunca faltou ao trabalho em todos esses anos que a conheço.

Enquanto isso ontem eu estava dentro de uma loja, lá no fundo da loja escolhendo uns ítens alimentícios, quando vejo um cara bantendo nas minhas costas e dizendo que o cara de cadeira de roda lá fora, na calçada estava pedindo dinheiro. Resumo, era vísivel que aquele rapaz que falava comigo estava sendo pago por ele para fazer isso. Porque esmola dá dinheiro, não é a toa que muita gente pede, se ganha mais assim do que em empregos que paguem pouco. Então a pessoa se acomoda nessa situação.

Eu só ajudo, e de vez em quando, velhos, porque esses realmente estão fora do mercado de trabalho, o resto, eu acho que pode batalhar, assim como essa minha amiga fez. Se estou sendo dura demais? Talvez!

Beijocas

Jeniffer Yara disse...

Well, eu fico sempre em dúvida se dar dinheiro á essas pessoas que pedem é uma boa atitude, minha vó costuma não dar, por que ela sempre fala que qualquer um pode muito bem ao invés de pedir dinheiro, trabalhar em alguma coisa, nem que seja só com um saco de mentas vendendo de condução em condução, e eu concordo com ela, mas existem vezes que dou dinheiro, e sei lá, não sei o que realmente a pessoa vai fazer com ele, mas eu dei, eu ajudei quando eu podia, então não errei. E concordo, lugar de criança é estudando e brincando, não trabalhando :/

Beijos

Ana Seerig disse...

Pois é, é um assunto delicado esse. Tenho a mesma visão que tu, mas sempre que ouço "O menino do amendoim" do Trio Esperança repenso isso. Quer dizer, as crianças deviam sim estar na escola e brincando, mas será que eles não conseguirem esmolas irão pras salas de aula. Dois versos da música me chamam especial atenção "É melhor pedir do que roubar" e, especialmente, "Não nasci porque pedi, mas eu peço pra viver". Claro, a sociedade dos anos 60, época da música, era outra, mas ainda assim me chama mais atenção do que esperaria.

E sim,imagina se eu não tinha que meter música no meio. Preciso de tratamento.

Tita disse...

Bah, eu já passei por situações que me fizeram ficar bem crítica com isso de dar dinheiro para quem pede. Vou contar só uma das situações, embora já tenha passado por diversas bem parecidas:
Estava numa lancheria tomando meu café e chegou um guri pedindo um dinheiro pq "tava com fome". Aquela coisa de fazer a gente se sentir culpado pq está comendo enquanto alguém passa fome... Minha resposta para ele foi: "sente aí que eu te pago um lanche". Bem, a resposta dele eu não posso reproduzir aqui pq foram só xingamentos. Ou seja...
Não é de hoje que a grande maioria dos que estão na rua são pessoas que fugiram das responsabilidades, seja por vício de álcool e drogas. E o dinheiro da gente só serve para alimentar esse vício.
Atualmente existem entidades para recolher as crianças, então não devemos dar esmolas pq isso só incentiva que elas continuem nas ruas.
A única exceção, realmente, são os velhinhos, que passam por dificuldades e ainda não tem uma verdadeira ajuda institucional.

Monique Premazzi disse...

É verdade. Eu sou exatamente como você. É horrivel ver pessoas em situação como essa. Me corta o coração pensar que eles passam por muita dificuldade, enquanto eu a pouco tempo estava reclamando da minha vida. Eu não consigo imaginar o quanto ruim é isso, acho que ninguem que tenha tudo o que quer praticamente consiga. É uma pena ;/

Beijos,
Monique <3
http://www.secretsofalittlegirl.com/

Pandora disse...

Esmolar é uma boa forma de ganhar dinheiro, a Dama está certa... Eu confesso que apesar de ser uma molengona dificilmente me comovo, dificilmente... Quando comecei a andar de ônibus até dava, mas percebi que tem gente que faz ponto ali, pedi é a ocupação... Mas confesso a você que essa situação de penúria na qual alguns vivem me doí na medula!!! A miséria me choca!!!

Erica Ferro disse...

Sabe, Day, há algumas pessoas que vivem esmolando por comodismo como há outras que esmolam porque não tem alternativa.
Algumas pessoas com deficiência gostam de usar a própria deficiência pra tirar vantagem disso. Em outras palavras, usam a pena que as pessoas podem sentir por elas pra ganhar dinheiro em cima disso. E isso é bem lamentável.
Ser deficiente não é atestado de ser incapaz (ainda mais hoje que as coisas estão mais acessíveis, como você mesma disse, que há leis que "protegem" a pessoa com deficiência). Eu, por exemplo, estudei, sou atleta paralímpica e estou tentando entrar numa universidade federal. Tudo bem que nem todos os deficientes nasceram em uma família como a minha, não rica, mas que não passa por dificuldades. Mas acredito que, quando se quer, se contorna os obstáculos e se vence na vida. Sempre há um jeito de mudar a nossa situação.