Nota de rodapé;

Dia desses encontrei um ex-amor. E não me diga que "ah, se é ex-amor, não era amor". Não quero tratar exatamente sobre isso. É só que esse tropeção no final do meu dia me fez rememorar outras tantas vivências e reticências que me causam esse dito amor. E foi assim mesmo, bem cena de filme, eu apressada para pegar meu ônibus e ele olhando distraidamente o celular com todo aquele jeitão dele corpulento e vagaroso de andar.

"Será que é ele? Com tanta gente pr'eu esbarrar, não é possível. Já chega de surpresas por hoje", eu pensava e antes mesmo que a oportunidade pudesse me escapar pelas calçadas e esquinas da cidade chamei-o com um alto "ei, psiu!" e o observei me olhar surpreso com aquele intruso chamamento. E foi estranho. Sim, muito estranho! Ambos adultos e parados bem ali, frente a frente, com um ex-amor.

Falando assim parece até que vivemos uma linda história de amor, mas não, foi apenas uma dessas histórias em que há tantas idas e vindas, encontros e desencontros e impermanecências que até nossas promessas bobas de adolescência ganham outro tom. Dá vontade de rir das voltas que a vida dá, das muitas horas em que conversávamos ao telefone sobre futuros e desejos incertos e isso é tão clichê. Éramos inocentes - talvez, eu mais do que ele -, mas fazíamos tão bem um ao outro.

Ele ia e voltava quando queria, sabe. E, coincidentemente, nossos relógios sempre nos diziam quando era hora de chegar ou de partir. Por muito tempo procurei algum significado nisso para minha vida e a verdade é que nunca houve sinal nenhum por aqui. Até o dia em que nos conhecemos pessoalmente e descobrimos que era hora de partir, deixando essa nota do re-sentir o amor em fases e idades tão distintas para retornarmos novamente aqui e rir.

As coisas nunca serão como antes. Eu não o chamarei para pôr o papo em dia tomando uma gelada numa mesa de bar, tampouco combinaremos de badalar pela noite da capital. Ele não me oferecerá nenhum verso de rap, muito menos parafraseará uma poesia barata para me ganhar. Nós não teremos o mesmo círculo de amigos e continuaremos seguindo assim, nos esbarrando enquanto a vida nos empurrar de encontro um ao outro, sem querer nos mostrar sinal algum. Apenas deixando essa nota de rodapé na nossa história sobre ex-amar.

2 comentários:

Allyne Araújo disse...

Um dia, querendo ou não, tudo vira ex-amor. Bjos

Fernando Viana disse...

Você, menina, escreve maravilhosamente bem. Seu texto é um primor, sabe. Realmente esses reencontros trazem sensações arrebatadoras.