Foi vapt, vupt

"Vapt, vupt" é uma expressão que meu pai sempre usava quando queria que algo fosse feito rápido. "É vapt, vupt", ele dizia. E é só essa expressão que eu consigo usar agora. Esse é o meu último post da Alemanha, no próximo já estarei no Brasil. É, minha passada aqui foi vapt, vupt. 

Logo que cheguei tinha a impressão de que tinha muito tempo, mas da metade do ano pro fim o tempo pareceu encurtar - e o dinheiro também. Por mais que eu diga, acho que é difícil as pessoas terem a perfeita noção do valor desse ano pra mim. Como costumo dizer, vim pra cá meio podre. Volto espiritualmente tranquila e feliz. 

Não vou dizer que tudo foi às mil maravilhas, especialmente agora no final, mas 95% do meu ano foi fabuloso. Tanta coisa que podia ter errado e não deu! Tanta coisa boa que eu nem esperava aconteceu! E conheci muitas pessoas legais, que conviveram comigo por poucas horas ou semanalmente, mas que tiveram igual valor e me mostraram que alguém não precisa passar a vida inteira do teu lado pra fazer alguma diferença na tua vida, às vezes instantes já bastam. 

Ah, as pessoas! Sem dúvida é delas que sentirei mais faltas. Desgraçadamente eu gosto das pessoas, de verdade. Tem quem goste de animais, de lugares bonitos... bom, eu gosto de pessoas. Cheguei e não fiz questão de catar amigos e companhias pra isso e aquilo, talvez meu inconsciente não queria que eu me apegasse às pessoas daqui, talvez fosse uma mera necessidade de ter um tempo pra mim, coisa que pouco tive ano passado.

O tal de 2012. Ah, ele me parece tão distante! Sei que vou reencontrar alguns dos problemas que me remoeram na época, provavelmente as soluções continuarão a não aparecer pra todos, mas minhas energias estão renovadas, sem falar na minha fé no mundo. Não fé de que todos um dia vão se amar e se abraçar ou que a violência no Brasil vai parar pra ver a Copa, definitivamente não. Apenas fé de que há sempre algo por vir: uma consequência, uma compensação boa para algo ruim, uma  coisa ruim pra quem se faz de malandro pra cima dos outros... Enfim, fé no tempo, esperança na paciência. Cada coisa a seu tempo. 

Nessa mesma época do ano passado eu não sabia o que esperar. Ou melhor, eu não esperava. Achava mais fácil acreditar no fim do mundo do que se me dissessem que eu vinha pra Alemanha e ficaria aqui um ano. Hoje eu não acredito que esse ano aconteceu. Acho que na primeira manhã que acordar na minha cama vou me perguntar se tudo não foi uma espécie de sonho ou se 2013 foi tão longo quanto os outros anos. 

Mas é real. Estou na Alemanha. Eu entendo as pessoas, elas me entendem (mesmo que meu alemão seja uma mistura de um índio e o Yoda falando). Tenho fotos a valer pra me lembrar disso, mas, especialmente,  tenho a alma lavada. Sim, foi um bom ano. Um baita ano. Agora aguardemos o seguinte. 

3 comentários:

Layanne Eduarda disse...

E que o próximo ano seja melhor que este. Coisas boas estão por vir, bastamos deixa-las entrar.
Beijos de luz, abraço.

Pandora disse...

Uau!!! Lindo post Ana, eu quase choro, e olha que vc sabe que isso não é bem uma metáfora. Também gosto de pessoas, mais do que de animais ou derivativos, as vezes acho que seria melhor gostar de peixes, mas o que se pode fazer?!?

Seja bem vinda de volta a sua terra natal e espero que 2014 seja um ano feliz para todos e todas nós!

Allyne Araújo disse...

Perfeito! rs.. Adorei!!!