Amor é pra quem ama

"A verdade é que relacionamento é coisa de gente altruísta. Gente egoísta não tem vez. Relacionamento é para os mão-aberta. Para os ouvido-aberto. Para os cabeça-aberta. Para os coração-aberto… E é por isso que eu gosto de gente que tem algo para doar. Gente que ama a própria vida. Gente que tem coisa nova a ensinar. Gente que tem história boa para contar. Gente que já aprendeu a se doar."

***
Então vem alguém dizer que não tem tempo para se apaixonar pelo dia amanhecendo, não tem tempo para enxergar como é bonito quando a chuva cai devagarzinho, que não tempo de reparar que existem pontinhos claros no céu de noite. Já cansei de me relacionar com pessoas que não têm paixões. Ou às vezes tinham, paixões mortas. Um amor da adolescência que não foi vivido por conta de um medo tolo, um sonho de cursar uma faculdade que foi vencido pelo curso que dava mais dinheiro. Uma paixão platônica que ficou na platonice e estacionou. A gente cansa de se empenhar e se doar pra quem tem medo, porque quem tem medo nunca dá o próximo passo. Quem tem medo nunca acende a luz sem antes ter uma mão para segurar e às vezes a gente também precisa que o outro acenda algo por nós. Quando eu me dou, é por inteiro. Aprendi na marra que água morna não serve nem gelo nem pra chá. 

Cansei de gente que chora a vida que passa e permanece, aquele tipo que te joga um balde de água fria quando você amanhece ouvindo passarinhos e por amor e gentileza diz 'bom dia' desejando de verdade que o dia do outro seja iluminado e ouve em retorno algo rude como 'não sei o que tem de bom'. É difícil enxergar o que tem de bom na vida mesmo. É difícil enxergar que você tem dois olhos e que claro, não enxerga porque deve ter tropeçado e em algum momento desaprendeu a erguer os olhos. É muito difícil enxergar que se a sua vida é uma merda a culpa certamente é sua, afinal, a vida é de quem? Tão fácil sentar e dizer que o outro é uma criança, que não tem maturidade para enxergar a vida adulta, que é bobo, é tolo, que vai quebrar a cara por se entregar, por se arriscar. Tão cômodo apontar quando o outro cai e dizer que é por isso que está ali, porque assim se preserva.

Auto-preservação é diferente de não viver. Não viver é auto-destruição, afinal de contas, para o que mesmo viemos? Eu não vim pra ser planta. Eu sequer sirvo para encher o planeta de oxigênio! Que eu viva então porque as histórias que eu vou contar ninguém poderá escrever por mim. Que os amores que se forem da minha vida escolham ir por erros que eu cometi, não pela falta de ação da minha parte. Que quando eu calar seja por já ter dito tudo que era preciso, não por ter engolido os termos de tanto medo. Que quando eu amar eu vá ao céu e ao chão, se for esse o caminho, mas que eu entenda, sempre, que as lições que me são destinadas eu só vou aprender se me dispor. 

Eu sou a boba, a criança que ama fácil, a que enxerga beleza até mesmo no pardal. E sabe, de hoje em diante, quero relações com gente assim, que saiba rir dos próprios erros, que role no chão sem falsos pudores, que não estrague os sorrisos alheios por não saber sorrir naquele momento. Gente que não vai guardar a melhor louça para a ocasião certa, que vai pegar um ônibus, um trem, um avião ou cometa para se aproximar. Gente que vai dizer e vai mostrar que me ama sem medo de que eu fique piegas, ser piegas é sinal que eu sinto algo, você sente? 

Quero perto de mim gente que acrescente, que me contamine com uma paixão nova e que tenha brilho de olhos ao me ensinar. Nunca disse que queria alguém perfeito, mas que seus defeitos sejam seus e que você não os mascare para em uma última conversa fria dizer que eu estraguei tudo. Quero gente de verdade, que saiba que comunicação transcende rede social, que um abraço é bem diferente de uma figurinha de whatsapp, que entenda que ser amigo não é concordar sempre, mas é no mínimo ser gentil. Gente que esteja comigo porque quer estar. Que seja inteiro, porque metade de algo não me serve nem de enfeite.

(Fragmento entre aspas desse texto aqui, ao som de Amor é pra quem ama - Lenine)
Esse texto é da autoria da Taynná Gripp, do Sucrilhos e Neuroses. E graças ao Bookaholic Girls conheci essa moça que tem momentos de epifania mais engraçados que já vi e escreve as coisas mais profundas sem falar difícil. Como não se contaminar com esse sentimento que escorre por entre esses versos, me diz? Aos poucos vou homenageando e divulgando o trabalho desses amigos-blogueiros que mesmo longe fazem meus dias mais alegres em palavras.

1 comentários:

Tati disse...

Eu fui assim, uma pessoa com medo, cheia de receios que não conseguia estender a mão pro mundo nunca. Mas as coisas vão moldando a gente.

Adorei, muito foda!