
"Tenho em mim todos os sonhos do mundo..."

♫ Vou dar braçadas, remar todos os mares do mundo ♫
Minha maior paixão é ela
Quando foi mesmo que eu conheci a natação? Digo, conhecer "cara-a-cara". Humm, deixe-me ver se recordo...
Ah, lembrei! Foi em 2003, não é? Sim, foi! Tão linda estava a piscina, águas azuis que me convidaram a invadi-la. Sem falar naquele perfume irresistível de cloro! Perfume esse que não sai mais da minha pele.
Desde então, os meus encontros com a natação são diários e o nosso envolvimento é cada vez maior.
A natação é a paixão mais duradoura que já tive, e sei que a considerarei assim até o meu último suspiro. Paixão essa que se pode chamar de amor. Amor que transforma, que cura, que liberta.
Personifiquei a natação, agora a vejo como uma amiga, que me acalenta a cada volta na piscina. Conversamos através de braçadas, brigamos através de pernadas e nos reconciliamos através da volta à calma.
Quando quase tudo não faz mais sentido, a natação me vem à mente. A única coisa que vale a pena, sempre. O meu refúgio secreto, onde eu permaneço até que as coisas voltem aos seus devidos lugares.
A natação é a minha bandeira, a minha forma de revolução. É através dela que o mundo saberá quem eu sou.
O laço que tenho com a natação é indestrutível. Por ela, acordo cedo para ir a mais um treino, na ânsia de obter resultados cada vez melhores em competições. Por ela, abdico de certas boemias, pois, se comparada a ela, qualquer coisa se torna insignificante na minha vida.
Nadar me faz um bem indizível. Posso estar com a cabeça fervilhando, o coração em frangalhos, mas quando começo a nadar, todos os problemas parecem tão pequenos e sem qualquer importância.
E é por todas essas razões que eu digo, com o maior orgulho que há em mim: sou nadadora. Sou atleta paralímpica. Sou movida a água com cloro. Uso maiô, touca e óculos. Salto para um futuro dourado. Sonho com a consagração na natação paralímpica. E sei que um dia realizarei todos os meus sonhos aquáticos. Pois o que me move é o amor pelo melhor esporte do mundo. O que me move é ela, a natação. Ela, sim, é a minha maior paixão.
Erica Ferro
* * *
Hello, pessoas! Acho que a maioria que lê o meu blog pessoal e me tem no Facebook já conhece esse texto, pois ele foi postado há um tempo no Sacudindo Palavras e recentemente foi publicado no Espaço livre, blog da instituição da qual faço parte, a ADEFAL. Postei Minha maior paixão é ela aqui hoje por dois motivos: não consegui pensar em nada para postar aqui, já que a minha mente só pensa em natação nos últimos tempos. Estou focada na competição regional que tenho daqui a 14 dias. Cheguei à fase do polimento, fase para lapidar o que foi treinado até aqui, então é natural que esteja ansiosa com a proximidade da competição, nervosa e, caraaaamba!, só pensando em nadar, em melhorar os tempos e tudo o mais. A tensão está grande, mas eu sei que de nada adianta ficar assim, nervosa, porque, no fim, isso só atrapalha. O segundo motivo pelo qual postei esse texto foi pra vocês conhecerem (pra quem não conhecia) esse meu amor pela natação, essa paixão que muitos dizem ser inspiradora. Postei porque a paixão pela natação está a cada dia maior e mais forte e a sede de evoluir nas piscinas, cada vez mais insaciável. E está próxima a hora de brilhar. O regional Norte/Nordeste está chegando!
Elas respondem: F1 e futebol
Que homem nunca se deparou com uma mulher que soubesse ou gostasse mais de futebol ou F1 que ele mesmo? Já não é mais surpresa para ninguém notar que o número de torcedoras e fãs da ala feminina só vem aumentando. E a tendência é que seja cada vez mais comum que mulheres e homens debatam igualmente sobre esses assuntos ditos como “papo de homem”.
Meu post-entrevista não é feminista como muitos poderão julgar e, sim, tem o intuito de abordar como as meninas se tornaram aficionadas por essas modalidades; como se comportam diante dos preconceitos e veem as oportunidades que surgem para mulheres nesses esportes.
Quem responde sobre F1 é Vanessa Bittencourt, de 23 anos e blogueira do Caixinha de Opiniões. E sobre futebol é a parceira de G.A., Ana Seerig, de 19 anos e blogueira também no Alguma coisa a mais pra ti ler... Mas antes acompanhem uma perguntinha geral.
1. Sabemos que os dois esportes, F1 e futebol, eram exclusivamente masculinos. Como os homens a encara quando começa a opinar sobre os mesmos? Já passou por alguma situação em que seus conhecimentos sobre o assunto foi colocado em desafio?
V.B.: Os homens geralmente ficam assustados com meu interesse em F1 e também futebol. E sempre rola a piadinha: “ah, mulher só gosta desses esportes por causa dos jogadores/pilotos bonitinhos”. No caso de F1, que obviamente no Brasil não é um esporte tão popular quanto futebol, a resistência às mulheres torcedoras é bem pior. Acho que sou testada toda vez que entro em alguma discussão nos fóruns, mas meu interesse pela história do esporte e minha atenção com relação às notícias bem recentes acabam me favorecendo.
A.S.: Apesar de ter sido uma das influências pra que eu gostasse de futebol, meu pai, no começo, não gostava muito disso. Ele jurava que eu ia acabar me casando com um jogador de futebol de esquina por puro fanatismo. Ou temia que eu fosse lésbica, sei lá. Mas com o passar do tempo ele aceitou. Até admite que eu sei mais que ele sobre o assunto, até porquê eu acompanho mais. Quanto a falar sobre futebol, nunca tive problema nenhum, como escutar um "mulher não entende de futebol", aliás, pelo contrário, eu digo que não entendo ou que jogava mal na escola e meus amigos dizem que eu entendo sim ou que eu jogava bem. Optei por não falar em futebol há um tempo atrás. Não por não crer que não entendo ou pela visão dos homens, mas sim porque é um assunto que alguns não sabem debater sem levar a coisa ao extremo. Converso sobre só com quem eu sei que é tranquilo ou durante os jogos mesmo, no mais, eu evito. Mas acho que vale falar da questão cultural aqui do sul, onde homens e mulheres se interessam por futebol e é comum ver mulheres em estádios ou andando com camisetas de time.
F1 – Vanessa
2. Como surgiu o seu interesse por F1?
Gosto de F1 desde que tinha uns 4 anos. Lembro de assistir as corridas do Senna sentada na poltrona ao lado do meu avô. Foi um interesse que passou de geração em geração.
3. Na hora de escolher para quem torcer, o que conta é o desempenho do piloto nas temporadas ou você é verdadeiramente fã de algum específico, independente dos resultados?
Eu gosto de muitos pilotos, dos que estão em equipe de ponta aos que estão no meio e fim do grid. Claro que é bom ver o seu piloto vencendo, mas não viro as costas para os que estão numa fase ruim ou para os que ainda tentam provar alguma coisa. Hoje torço para pilotos como Felipe Massa e Kimi Räikkönen, mas também para pilotos que estão em situação precária, ou seja, em equipes que estão mais para tartarugas, como Heikki Kovalainen e o meu preferido, Timo Glock. Fã que é fã não é aquele que se acomoda torcendo sempre pra quem está na frente.
4. Na Fórmula Truck temos Débora Rodrigues e outras quatro mulheres na Fórmula Indy como pilotas. Para você, como é encarar Maria de Villota como pilota teste na equipe da Marussia nessa temporada de 2012? Já passou da hora de mulheres começarem a participar competitivamente da F1?
Vou sentir muito orgulho quando uma mulher puder voltar a disputar uma corrida de F1. Há 20 anos não se vê isso. Não sei se a Maria de Villota vai ter mesmo chances de participar de pelo menos um treino livre na F1 e não se pode desconsiderar também o fato da Marussia ser uma equipe que enfrenta muitas dificuldades. Mas só o fato da Maria estar ali já tem um significado muito importante.
Futebol - Ana
2. Qual o seu time de coração e por que você torce para esse time?
Grêmio. E Juventude. Por quê? Pelo natural: família. Cresci com meu pai e meu vizinho (meu avô de coração) falando em Grêmio. Ai de um Seerig dizer que não era gremista! (Antes era meu pai que se estressaria com isso, hoje sou eu.) Também falavam os dois em Juventude. A justificativa do meu pai pra torcer pro Ju e não pro Caxias, o outro time da cidade, é o seguinte: não se torce pra time de vermelho (o Caxias é Grená - e vai ficar conhecido agora que tem um ator da Globo treinando pra um papel de uma novela da Globo no Caxias). Verdade ou não, o fato é que sou gremista e juventudista por uma questão puramente familiar, apesar de outras desculpas que eu possa dar por aí.
3. É evidente que falta incentivo para o futebol feminino. Você acha que a falta de investimento ocorre devido ao preconceito tanto de patrocinadores como pela falta de interesse do público?
Acho que, no geral, é falta de interesse. Isso não é só uma questão do Brasil, mas mundial. A força da torcida está no futebol masculino, tal como o interessados por moda se apegam mais as modelos mulheres do que aos homens. É algo puramente cultural, não creio que há preconceito. Deve-se levar em conta a questão histórica. O futebol feminino é muito recente, tá procurando espaço, tal como o futebol quando foi criado buscou. Levou-se décadas pra que o futebol fosse aceito como esporte, e a prática feminina também vai ter que lutar pra conseguir seu reconhecimento.
4. Programas como “Belas na Rede” transmitido na Redetv, todos os domingos, para você é um programa que tende a tentar atrair as mulheres para o assunto ou é mais uma jogada de marketing para atrair o público masculino?
Primeiro de tudo, não assisto esses programas, então não posso dizercom segurança. De modo geral, acho que futebol, como tantos outros assuntos, quando têm espaços exclusivamente feminino não é por ser um modo de reconhecimento à opinião feminina. Defendo a naturalidade. Há mulheres por aí em programas esportivos, os quais, admitamos, são mais da metade sobre futebol. Elas estão lá não por serem mulheres, mas por se mostrarem capazes, e isso me é muito mais válido do que um programa futebolístico feito por ou direcionado a mulheres.
Participem e opinem também, galera! Muito obrigada às meninas por participarem dessa mini-pauta. Abraços.














