Show do Kiss em São Paulo

A Banda de Rock setentista Kiss esteve de volta ao Brasil com sua nova Turnê "Monster" e se apresentou neste sábado (17) em São Paulo. Me avisaram para me preparar para o melhor Show da minha vida.. e a promessa foi cumprida.



Maquiagem:
Eu não queria ir para o Show do Kiss sem a maquiagem. Não foi fácil encontrar os produtos e muito menos fazer a maquiagem, mas posso dizer que fiz um bom trabalho!




Fiz o Gene Simmons no Rapha e o Paul Stanley em mim! Saímos na rua e pegamos o metrô, e posso dizer que tive meu dia de Freak. Vai saber o que as pessoas pensavam.. mas não me importo: eu iria ver o Kiss e "homenageá-los" me caracterizando.

Poucas pessoas estavam caracterizadas para o Show, esperávamos mais. Talvez por isso nós chamamos tanta atenção... pessoas paravam para elogiar nossa maquiagem - em especial a do Rapha, que é mais complexa e estava mais bonita - e teve até pessoas tirando foto da gente de longe, rs. 

Abertura.
Quem abriu para o Kiss foi a Banda Viper do André Matos. Eu nunca tinha visto André Matos ao vivo e apesar de ser muito bom, não parece ter empolgado muito. 

The Hottest Band in The World
Com cerca de 15 minutos de atraso, a cortina com as palavras KISS desceu e foi o suficiente para levar 25.000 pessoas à loucura. O telão mostrou a banda nos bastidores seguindo para o palco, logo ouvimos a famosa introdução antecipada pela frase ALL RIGHT SÃO PAULO!! "You wanted the best... you got the best..the hottest band in the world.. KISS" que a platéia falou em coro. A Banda apareceu em cima de um módulo que desceu até o nível do palco.. a abertura foiDetroit Rock City, com fogos sendo disparados no ritmo da batida e cantada com muita empolgação do público.




Pirotecnia e teatralidade é marca registrada do Kiss. A começar pelo figurino e maquiagem, o palco com módulos que sobem deixando os integrantes bem acima da platéia.. No solo do batera, ele foi suspenso acima do nível do palco e a bateria ficou toda iluminada em verde, foi lindo! No final do solo, ele disparou uma bazuca (de fogos de artifício).

Ao final de Hotter Than Hell, Gene Simmons fez juz a letra com seu clássico número em que cospe fogo. Em seu solo, o momento mais aguardado e previsível, em que solta sangue pela boca. Depois, todo iluminado por uma luz verde foi suspenso bem alto onde cantou God of Thunder. Ao final, ainda perguntou em português: "tudo bem?" 


Repertório
Três músicas do novo disco Monster foram tocadas, sendo acompanhada por poucos. O que levantou o público para valer mesmo foram os clássicos: Detroit Rock City, Shout it out Loud, Calling Dr Love, Hotter than Hell, I love it Loud, War Machine, Psyco Circus, entre outras. 

Logo no início de Love Gun, Paul Stanley segurou em um cabo de aço e deslizou passando por cima da galera, até uma plataforma no meio da arena Anhembi, bem ao lado da onde estávamos. Gritos frenéticos e celulares surgiram de todos os lados, para registrar o momento.

Paul Stanley agradou muito o público quando disse que esteve na Argentina, no Chile, mas que seu coração pertencia a São Paulo e disse que gostaria muito de nos ver denovo.

Já no final, Paul iniciou uma nota de Starway To Heaven do Led Zeppeling... interrompeu e questionou: Vocês querem ouvir Kiss? A galera respondeu ovacionando empolgadamente e o show foi encerrado com Black Diamond.

No Bis a Banda retornou ao palco para tocar Lick it Up, I was made for loving you, e Paul perguntou "vocês querem ir para casa?". Não queríamos. O Show foi encerrado com I Wanna Rock N' Roll All Nite embaixo de uma chuva de papel picado branco. Paul fez a tradicional quebra da guitarra, não sem antes questionar se queríamos vê-lo fazer isso. O disparo de fogos de artificio durou alguns bons minutos, encerrando este grandioso espetáculo como uma passagem de ano.... o antes e o depois desta experiência única que ficará para sempre na lembrança.

O Show do Kiss não é apenas um Show de Rock.. agrada crianças e adultos, contagia até quem não curte o estilo, pois antes de tudo trata-se de um espetáculo minuciosamente pensado para mexer com os sentidos de quem assiste. Com certeza, valeu cada centavo investido, valeu costas e pés doendo, e eu acho muito difícil algum outro Show superar este. Se eles voltarem 10 vezes para o Brasil, eu estarei lá, 10 vezes.

UPDATE:
O Show foi transmitido ao vido pelo Terra Live Music, e encontrei o link no Youtube. Clique aqui para assistir. Ok, de nada!


@PetitDay
*Postado orginalmente no Penso, Logo... Blogo!

Prazos de validade

Eu sempre tive um hábito meio mórbido de fazer amigos, mas do qual ainda não consegui me livrar (embora esteja tentando).

Já há alguns anos, sempre na época dos vestibulares, eu me dirijo a algum local de prova e fico na frente do portão, junto com os vendedores de água e baganas e os parentes dos candidatos que ficam do lado de fora trocando lero. A diferença é que não vendo nada nem sou parente de ninguém. Observo todos os candidatos passando pelos portões, até que vai se aproximando a hora-limite de entrada e o clima começa a ficar tenso: será que alguém vai perder a prova?

Quando os responsáveis pelo fechamento dos portões começam a se movimentar, a tensão se espalha. Sempre há candidatos retardatários vindo correndo no final da rua, e a multidão em coro toma para si a perseverança desses sujeitos atrasados e começam a lançar gritos e gritos de alerta.

Corre!, corre!, vai fechar!

Quase sempre o candidato consegue entrar, graças à benevolência do fiscal que retarda o trancamento dos portões. Mas sempre há alguém que fica de fora, e então eu - que sempre assisto entusiasmado a esse pequeno show urbano - começo a agir.

Lembro-me de uma vez que uma garota chegou e não pôde entrar por questão de segundos. Segundos mesmo. Desde o início da leitura dessa frase até esse momento: esse foi o tempo entre o fechamento do portão e a chegada da garota, uma mulata baixinha, que só não caiu no choro na mesma hora porque aparentemente não lhe havia caído a ficha. Assim que a garota literalmente esbarrou no portão - ao som consolador de dezenas de vozes -, ela lá ficou por alguns segundos, inerte, sem voz sequer para pedir inutilmente ao fiscal que a deixasse entrar; então foi saindo dali, como se tendo uma vertigem ainda apoiando-se no portão e, logo que este acabou, apoiando-se no muro. Da parte das pessoas, após o choque inicial, já se ouviam algumas risadinhas e umas provocações indiretas, do tipo "a única coisa que ela tem que fazer no ano é essa prova, e chega atrasada". Estavam se alimentando da desgraça alheia.

A moreninha andou uns duzentos metros, saiu do meio da multidão, e então sentou no chão encostando-se na parede salpicada do muro, com um semblante tão pálido que parecia que não havia respirado naqueles minutos. Eu comprei um copo de água mineral e me aproximei, oferecendo e sugerindo-lhe que ficasse calma. Ela aceitou, realmente não tinha fôlego, mas aos poucos foi se recuperando e a conversa, no início tortuosa, foi fluindo melhor. Assim como conheci essa garota, conheci também outras pessoas. Ficava sempre nas portas dos locais de provas, esperando os retardatários, aqueles que (talvez pela primeira vez) sentem o peso de 30 segundos, de um minuto, em suas vidas. Conversar no início era sempre difícil - muitas vezes, depois da tensão inicial a pessoa caía em prantos e a conversa se tornava por algum tempo impossível; porém, eram esses casos que eu mais gostava -, no entanto aos poucos a comunicação evoluía.

Em geral, eu conhecia mais garotas nesses locais. O papo com elas se desenvolvia sempre com mais facilidade, porque elas exprimem mais as emoções. É até uma oportunidade para eu testar tudo que aprendi autodidaticamente com tantos livros de psicologia. Só que também já conheci alguns caras. Um deles, o único com quem ainda mantenho algum parco contato, era meio metido a surfista. Nunca teve nenhuma meta na vida que passasse pelo vestibular, mas não deixou de ser um baque ser barrado no portão do local de prova. Raros são os que reagem normalmente. Alguns são até insossos, mas também sentem.

A minha última namorada, inclusive, eu conheci na porta do então Cefet-RN. Logo após ela ter sido barrada, fomos até o bosque que há ali perto e lá lanchamos e conversamos o dia todo, e no dia seguinte até umas dez semanas depois estávamos namorando, ainda que não fosse um namoro propriamente dito, mas que seja: namoros não necessariamente precisam ser tais como são propriamente ditos.

Os desatentos pensariam que eu gosto de ver as desgraças alheias; não, não gosto. Se dependesse de mim, não sofreriam desgraças quaisquer. É apenas que a pessoa nesta ocasião está sensibilizada, e de modo geral ela, no momento posterior a um tropeço desses, sempre esboça qualquer característica fundante ignorada, talvez alguns defeitos de personalidade desconhecidos ou mesmo virtudes até ali reprimidas. Eu vislumbro sempre este último caso.

Apesar de tudo, nenhuma dessas amizades durou muito tempo. Tratavam-se de relações cujo elo de ligação era a desgraça, o fracasso, a tensão. Eu gostava de conhecer a pessoa pelo que ela tinha de irresponsável. E, sobretudo, gostava de conhecê-la num momento de total ausência de humor, já que não tenho muito saco para besteirol. Só que após os primeiros dias, ou as primeiras semanas (quando sai o resultado do vestibular, sempre bate de novo aquela crise nos retardatários), elas sempre conseguem "superar" o problema. Suas vidas, passam, então, a se permear de novas boas coisas. As garotas começam a querer que eu vá com elas para uma balada insossa ou passar um fim-de-semana na casa de praia com sua turma, os caras começam a me chamar para churrascadas ou para jogos de futebol. A socialização a dois enterra-se, e a amizade só se sustentaria se eu topasse participar desses programas coletivos e chatos demais. Então eu desisto, todas as vezes, de maneira que essas relações nunca ultrapassam a barreira dos três meses. Depois, vem a espera por novas oportunidades.

Mas isso cansa.

Neste final de semana, bem que acordei com aquela velha vontade de fazer brotar mais um amigo e uma namorada; no entanto, assim que pensei no vazio que emergiria daqui a uns três meses - justo quando eu já estivesse desacostumado com ele -, percebi que valeria mais a pena voltar a dormir.

Autor: Leon K. Nunes.
Leon K. Nunes tem 26 anos, é professor de Geografia e escritor. Autor do livro Contos Subterrâneos, reunindo material inédito em parceria com os gaúchos E. P. Freitas e Ivo Ávila.
Conheça seu trabalho no Blog Literatura Vil.


Das coisas...

Ideia da Maria Fernanda lá no Chá das Cinco,
pergunta feita lá no meu ask.

TOP 5: Músicas das quais não me canso

Há músicas e músicas, e sempre há aquelas que, quando eu ouço, quero ouvir de novo e de novo. Sem delongas, eis alguns exemplos (por ordem de lembrança, não de preferência):

Alles nur geklaut - Die Prinzen

(Além de não enjoar da música, não enjoo do clipe. Sim, a música é em alemão, mas bah, tente ver o clipe e não adorar identificar as referências - ah, e pra ajudar a entender a piada, "alles nur geklaut", em tradução literal, significa "tudo apenas roubado")



Datemi un martello - Rita Pavone

(Não me diga que tu escuta essa música sem bater o pézinho e colocar para repetir?)



Maria Fumaça - Kleiton e Kledir

(Dos amores da infância que não consegui me desapegar... Especialmente essa versão:)



Maria Luiza - Canastra Suja (anteriormente chamada de Tchubaruba)

(Essa é a música que me faz usar o adjetivo "charmosa" para caracterizar o som da Canastra. Vai negar? Jamais vou entender a razão dela não ter entrado no primeiro CD deles - podiam ter deixado de lado aquela faixa final, né?)




Tempo no inferno - TNT

(Será que eu sou a única pessoa no universo que adora cantar "Bom dia pra você que não me ouve mais, bom dia pra você que não me enxerga mais, bom dia pra você que não me ilude mais, bom dia pra você que não existe mais no meu coraçãããão"?)





Então, me digam, até que ponto eu sou maluca por não cansar dessas músicas? (E o fato de as músicas estarem em ordem alfabética, juro, foi coincidência.)

Pra rir

Divirto-me horrores com as páginas de humor que acompanho no Facebook. Não sei se sou meio besta pra rir ou se as coisas que são postadas nelas são mesmo engraçadas. Sei que bolo de rir de várias tiradas que vejo na minha timeline. Uma página que gosto bastante é a Depressiva da depressão. Separei cinco imagens com tiradas que me fizeram rir um bocado. Digam aí se são engraçadas ou se eu sou uma idiotinha que ri de tudo.


Era pra ser um elogio? Você está fazendo isso errado, amigo(a)! *risada sarcástica* Já vi muito isso em fotos alheias. E, olha, eu ri demais. Tem que ser meio sem noção pra fazer comentários assim, né? Se a pessoa saiu muito bonita na foto a ponto de nem se parecer com ela, é melhor nem comentar isso. Comente apenas que ela está bonita, e pronto. Precisa acabar com o elogio dizendo que nem está parecendo com ela? Sem falar que a pessoa se sentirá um cocô depois de um comentário desses! Ô povo cabeçudo! 


So sad! So saaad! *risos, muitos risos* Cê pensa que é bonito ser feio? Os feios sofrem muita discriminação nesse mundo virtual. Ô povo superficial que não se importa com o intelecto, com os sentimentos, apenas com o físico. Bando de insensíveis! Acho que é quase um milagre nunca ter acontecido isso comigo, porque sou pra lá de feia, então devo agradecer aos céus por nunca ter me acontecido uma dessas. 


Sério, bicho, ri muito com essa, mas depois quase chorei porque vi que definiu minha vida. *drama on* Oh, como é difícil ser solitária! Ninguém me quer, ninguém me ama! *drama off*


Acabou com a alegria da criatura! Pegou o ego da pessoa e o estraçalhou! Eu desistia de sair, na boa. Não deixaria barato tamanha humilhação. *risos loucos e debochados*


A melhor! Ri muito quando vi essa tirada. Imagina se a pessoa não gostasse de ler? Complicado, hein? *risos, muitos risos*

* * *

Eu até ia procurar outras imagens pra postar, mas parei de ver a página quando dei de cara com uma imagem que tinha aquela presepada do filme O exorcista. Cara, aquela imagem me persegue. Sério. Quanto mais fujo dessas coisas horríveis na internet, mais elas aparecem.
Espero que tenham curtido o post de hoje. Quis postar algo simples, algo leve, pra descontrair um pouco.
Um abraço da @ericona.
Hasta!



(+18) Sim, eu gosto muito de sexo. E daí?

Um domingo qualquer. A mesa de família estava farta. Minha avó havia retirado a lasanha do forno, com a ajuda de um pano de prato, estampado com desenhos de cerejas. Meu primo tinha acabado de colocar sal na minha Coca-Cola. Meus tios falavam alto, tomavam cerveja como se tivessem acabado de chegar do deserto e, como sempre, contavam as mesmas piadas sem graça, fazendo trocadilhos com o pavê que ainda nem havia saído da geladeira. As tias falavam mal das noras que, por sua vez, maldiziam os maridos e em meio a esse clichê familiar, e minha mãe me perguntava repetitivamente o motivo pelo qual eu havia passado a noite toda com o celular desligado. Eu já estava atordoado no meio daquele caos e sem pensar gritei: “Eu não atendi o celular porque estava no motel. Isso mesmo, fazendo sexo selvagem em uma cadeira erótica!”.

Sessão especial: Chuva, filmes e sofá


Esqueça.

Não tem graça tomar banho de chuva a luz do dia, muito menos sem ter uma companhia legal. Além do mais quando a TPM é um porre de sensações diferentes, que juntamente ao frio de 24 C ° (QUÊ?! Isso é calor!!!) equivalem a calças compridas e pés gelados. E o que sobra? Rodadas de clipes e filmes na TV. Como Toc. não tem cinema, e só tem uma estação no ano (dividida em dois períodos: verão chuvoso e verão sol de rachar) qualquer chuva é motivo para andar por aí todo empacotado, e é nessas horas em que eu sinto que o povo aqui é maluco, mas havermos de concordar que é legal, pois é um bando de gente dizendo “frio, como eu te amo!” e outras reclamando “Ah, que droga”..

E assim, o meu final de semana foi completo de chuva e sem internet (dizem por aqui que os Wi-fi adivinham chuva com três meses de antecedência! Que legal né?), mas em compensação não foi de todo mal, pois juntamos a galera na sala, arrumamos travesseiros e almofadas e sim: Filmes! De sábado para domingo engatamos seis, aos quais foram:

Sem Saída: Perdi o começo deste, mas posso dizer que do meio para o fim é legal, embora tenha uma pegada mais teen para quem está acostumada a aventura de adultos. E Taylor Lautner mostra que não é só um rosto bonito e corpo sarado, mas um protagonista de peso que sabe atuar em filmes de ação. Acho que este longa pede uma continuação, sem dúvidas! Mas se começarem a pegar leve com o próximo roteiro, então é melhor deixa-lo como esta.

Thor: Ah Thor! Se você caísse aqui na minha terrinha, viu? (suspiros imensos – ops!). Confesso que eu achava que este longa fosse perda de tempo, pois não sou tão fã de mitologia nórdica, mas o mesmo me surpreendeu de algum modo, e me deu animo para encarar “Os vingadores” logo mais. E que coisa mais fofa o cabeça quente do Thor se redimindo... ai ai.

Imortais: Esse filme me decepcionou. Por quê? Por que eu esperava muito mais dele, ou seja, algo mais que me fizesse assisti-lo e ficar alucinada, pois mitologia grega me encanta, mas o que senti foi apenas uma vontade lascada de que este terminasse logo. Pensei comigo: “É só isso? Nem passa perto de Fúria de Titãs!”. A ação até que é legal, mas o enredo e os personagens...

Enrolados: Longa infantil com pitada de comédia. Assisti este por insistência do meu irmão casula, mas confesso que adorei. É bom perceber que as novas produtoras vêm apostando em diferentes abordagens dos contos de fadas, sem, contudo alterar toda a história. É como se pegássemos um clássico e déssemos a ele modificações novas em que estão presentes humor, romance e magia, de modo que as novas gerações continuem a se encantar com eles, mas percebam a importância de se conhecer outras versões.

Maratona dos três primeiros episódios da segunda temporada de Once upon a time: No mesmo esquema de contos de fadas. Essa série me fascina, por vários fatores, e lhes digo que é uma das minhas preferidas no momento. Porém, também queria assistir “Capitão America: O primeiro vingador”, então não acompanhei direito nenhum e nem outro nessa alternação. Ô conflitos de seleção absurdos!

Ultravioleta: Só assisti esta ficção cientifica porque sou fã da Milla Jovovich, mas no fim das contas é um enredo interessante, pois nele os vampiros/mutantes tem uma abordagem diferente das atuais produções no mercado, pois não aparecem nem como mocinhos nem como os vilões de fato. Entretanto, para quem é vidrado em efeitos especiais e esperava algo mais já digo logo: deixa a desejar!

Bônus: Show ao vivo da cantora americana Joss Stone no Multishow! Não ia perder isso por nada, pois a mulher tem uma voz legal, uma banda maravilhosa, sem falar na ginga que as musicas dela possui. Então, se alguns filmes foram perda de tempo e o final de semana inútil, o show compensou.

E bom, o que posso dizer é que aproveitei ao máximo a TV a cabo, arriei a bateria do meu celular tentando conexão de internet, e que ganhei por uma semana dor de cabeça por dormir depois das duas (da manhã) e forçar meus lindos olhos castanhos sem o uso dos óculos, mas digo que afinal de contas: valeu apena! Oh sim, valeu muito!!!

P.s: E ai, já tiveram finais de semana parecidos?? Contem ai. Bjão e boa semana pra todos!!!!
                                                                             

        

Trilogia Cinquenta Tons de Cinza

Pessoas!!!
Mais um domingo e cá estou para falar um pouco sobre livros...
Sim!!!
Estou apaixonada pela trilogia 50 Tons de Cinza...
Para aqueles que não sabem do que estou falando, vou fazer um pequeno resumo sobre os livros...

Cinquenta Tons de Cinza - Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja — mas em seus próprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferências de Grey, Ana hesita. Por trás da fachada de sucesso — os negócios multinacionais, a vasta fortuna, a amada família —, Grey é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana não só descobre mais sobre seus próprios desejos, como também sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...

Cinquenta Tons Mais Escuros - Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele põe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresário e concentra-se em sua carreira, trabalhando numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propõe um novo acordo, ela não consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possível. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demônios interiores, Ana se vê diante da decisão mais importante da sua vida.

Cinquenta Tons de Liberdade - Quando a ingênua Anastasia Steele conheceu o jovem empresário Christian Grey, teve início um sensual caso de amor que mudou a vida dos dois irrevogavelmente. Chocada, intrigada e, por fim, repelida pelas estranhas exigências sexuais de Christian, Ana exige um comprometimento mais profundo. Determinado a não perdê-la, ele concorda. Agora, Ana e Christian têm tudo: amor, paixão, intimidade, riqueza e um mundo de possibilidades a sua frente. Mas Ana sabe que o relacionamento não será fácil, e a vida a dois reserva desafios que nenhum deles seria capaz de imaginar. Ana precisa se ajustar ao mundo de opulência de Grey sem sacrificar sua identidade. E ele precisa aprender a dominar seu impulso controlador e se livrar do que o atormentava no passado. Quando parece que a força dessa união vai vencer qualquer obstáculo, a malícia, o infortúnio e o destino conspiram para transformar os piores medos de Ana em realidade.

Bom, praticamente é isso que o livro trás; um romance água com açúcar, salpicado com pimenta. Pra começo de conversa o livro é narrado em primeira pessoa, o que já me ganha em 30% na leitura. Adoro narrações em que o personagem principal narra os acontecimentos, pois o leitor fica condicionado ao que o personagem quer contar. Outro ponto positivo é como você vê o amadurecimento das personagens durante a trilogia.

Apesar das críticas, a autora deixa claro que a personagem conta o que quer e da maneira que quer, impedindo o leitor de adivinhar ou supor o que vai ocorrer depois. Muito tem se falado do livro com respeito a ser um romance erótico, bom gostaria de deixar claro que o que me levou a ler o livro não foram os comentários com respeito a isso, quis ler a trilogia devido a uma amiga minha.

Só pra contar, terminei a leitura ontem do último livro e digo, provavelmente irei reler a trilogia em breve, pois realmente me encantei com a estória...

Hummm...
Depois de todo esse blábláblá sobre o livro...
Me vou...
Tenho que caçar outros livros para ler...
Então...
Beijinho, beijinho...
Tchau, tchau...

João Batista

Fui convidado, outro dia, para uma festa de batizado. A festa consistiu num churrasco. Aliás, o churrasco se presta bem para essas e diversas outras ocasiões. Nada mais comovente (e substancioso) do que churrasco de casamento, sobretudo quando a nubente se chama Shirley Terezinha.

São os eternos encantos da classe média, isto é, da família. Como ninguém ignora, a classe média é a salvação da lavoura, digo, da família, principalmente se a religião for Umbanda, como em geral acontece.

Já imaginaram o que representa nestas aperturas da civilização ocidental, um mocotó de bodas de prata, tendo como música de fundo (ao bandolim) o Carinhoso, de Pixinguinha? Pois, em verdade, em verdade vos digo, já participei de um desses eventos que, por sinal, teve lugar na Rua da Varzinha, a rua porto-alegrense dos meus amores e das minhas saudades.

Aliás, há coisa assim de uns quarenta anos vivia na Rua da Varzinha uma moçoila em flor, cuja graça, talento e formosura reproduziam, em versão livre, o milagre da Santíssima Trindade.

Araucária Augustifolia,
conhecida no RS como pinheiro.
Tendo sido convidado, como ia dizendo, para uma festa de batizado, compareci munido do devido presentinho para o anjinho. A cerimônia foi realizada no sítio do amigo Inocêncio Jardim, situado a pouca distância da localidade denominada Cazuza Ferreira, 2º distrito do município de São Francisco de Paula, São Chico para os íntimos.

Quando cheguei a local da festa, a derrubada de cervejas já era grande, mas o churrasco, um costilhar de boi serrano, ainda estava longe do ponto de cortar. Fui logo perguntando pela criança do batizado. 

- É aquela ali - indicou Inocêncio, apontando na direção de um enorme pinheiro. - E vai receber o nome de João Batista - acrescentou.

Fiquei então sabedor de que se tratava, realmente, do batizado de gigantesco pé de pinheiro, cuja idade, a julgar pela grossura do tronco, devia andar por volta dos oitenta anos. Como eu próprio já plantara um salso-chorão na frente da minha casa, que recebeu na pia batismal o familiar nome de Inácio, não me causou a menor espécie o procedimento cristão do meu amigo.

Tenho um outro amigo, na cidade de São Gabriel, que costuma botar nome nas árvores de sua estância, mas se recusa a batizá-las, condenando-as, assim, a irem bater com os costados no limbo. A última vez que ali estive de visita, encontrei-o tomando um mate debaixo da Carlota, uma frondosa guajuvira.

Entretanto, foi no sítio de Inocêncio Jardim que assisti dar-se nome a uma árvore, com batismo e a respectiva festa. O ato consistiu no esfacelamento de uma garrafa de cerveja, lançada com violência contra o tronco do vetusto e majestoso pinheiro. 

Segundo meu amigo Inocêncio, que também atende pela alcunha de Laranja-Azeda, por causa do cacoete com que retorce, mesmo durante o sono, sua simpática fisionomia, restam tão poucos pinheiros no Estado que seria a maior das impiedades deixar pagãos os raros sobreviventes.

(Carlos Reverbel)

Essa é a primeira crônica do livro Barco de Papel, livro que contem texto que ele escreveu para jornais. Reverbel foi um dos mais importantes jornalistas gaúchos, sendo criador do sindicato porto-alegrense da classe e um dos que tão bem estudou a vida de João Simões Lopes Neto, um dos mais importantes nomes da literatura daqui. O pinheiro do qual Reverbel fala na crônica é, na verdade, uma Araucária Augustifolia, que nós, gaúchos, vulgarmente chamamos de pinheiro. As araucárias são muito comuns aqui no Rio Grande do Sul se bem que, se há mais de 30 anos Reverbel já chamou atenção para a diminuição da espécie, hoje elas já não têm o mesmo espaço que já tiveram. São os pinheiros que produzem um dos alimentos mais tradicionais do RS: o pinhão. Sabe aquele versinho "Batatinha quando nasce..."? Bom, o pinheiro é tão tradicional aqui que tem seus próprios versos: Pinheiro, me dá uma pinha/Pinha, me dá um pinhão/Menina, me dá um abraço/Que eu te dou meu coração.

Oração


Que teu amor
em sua profunda nobreza
seja
minha reza,
meu mantra,
meu carma;
a cura
pra toda essa loucura
de pesar o amar
e o sonhar. 
Amém!
 (11.11.2012)

As maravilhas da virtualidade

Sim, o mundo virtual é alvo de muitas críticas. Dizem que é perigoso, violento e tal e coisa e coisa e tal. Para mim, é tão violento e perigoso quanto o real e isso eu já defendi mais de uma vez lá no meu blog. Deve-se ter tanto cuidado nos computadores quanto fora deles, torná-lo mais ou menos perigoso vai de cada um. 

Tenho várias razões que me fazem exaltar o mundo virtual, começando por esse blog em que tu está agora. O Gurias Arretadas foi formado através de amizades virtuais e aproximou ainda mais nós seis (eu, Becks, Babs, Allyne, Erica e Day). Reencontrei na nossa Conversa Eterna no facebook aquela roda de amigos que eu tinha no ensino fundamental, onde a conversa rolava fácil e simples, sem as poses do ensino médio.

Nem vou falar nos outros tantos amigos virtuais que fiz (e que não substituem os reais), porque esse papo se lê em qualquer canto da blogosfera. Quero mesmo é falar das oportunidades que o mundo virtual traz inesperadamente. Veja, minha maior vantagem é que conheço criaturas em vários estados, o que me trará benefícios futuros caso eu pense em fazer uma excursão por aí (se não for hospedagem gratuita, ao menos guia turístico de graça eu vou ter).

Brincadeiras à parte, o que quero dizer é que, como tudo na vida, se usado conscientemente, o mundo virtual pode proporcionar pelo menos três vezes mais coisas legais do que negativas. A última que me aconteceu foi a proposta de um podcast. Veja, quatro gurias, uma de cada canto, falando ao mesmo tempo (e gravando) sobre livros. Um viva especial ao Skype!

O problema está em se deixar de lado o mundo real para ficar agarrado ao computador. Quero mesmo crer que essa história de pessoas que se escondem atrás de um computador está mais para boato do que para realidade. Me diga tu, o mundo no qual tu vive foi deixado para trás quando tu descobriu as peripécias do mundo virtual? Se sim, reveja isso; se não, bom, há mais boato do que realidade nesse esquecimento da realidade.

Ah, e pra quem quiser provar um pouco da minha última alegria virtual (e perdoem as falhas técnicas, elas serão melhoradas):


Always

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Que poder é esse desse moço que não dá sossego à minha mente e coração? Que poder é esse desse moço? Eu não consigo entender. Fico às voltas, prestes a um ataque, e não chego à conclusão alguma. Será ele um bruxo? Um feiticeiro? Isso é ridículo, eu sei. Ai, é que estou apaixonada! Apaixonada demais. Deveras apaixonada. Queria arrancar esse sentimento do meu peito, jogá-lo o mais longe possível de mim, mas eu já tentei tanto, e sempre sem sucesso. Quanto mais tento esquecê-lo, mais dele me lembro. Dos olhos dele, do seu cabelo, da sua voz tão linda, que mexe tanto com o meu coração. Isso é amor? Isso é paixão? Não, isso é obsessão, é loucura. Há anos que eu amo esse moço, e sem remédio. Nunca o tive, nunca o terei, mas também não consigo tirá-lo dos meus pensamentos. Maldito! Eu queria odiar esse moço! Porém, todos os meus impropérios são inverdadeiros. Enquanto minha boca insulta o moço, meu coração sussurra, em pratos, que o ama, que o ama muito, que o ama tanto. Ah, estou enlouquecendo, e a culpa é dele. Só dele. Que inferno! Eu queria ficar louca de vez, assim essa dor acabaria. Não! Eu não quero ficar louca. Na verdade, eu quero que o moço de olhos cor de mel e sorriso que irradia sol me queira por perto, que me ame. Pra sempre.

Erica Ferro

Ai, que saudade que eu tava de escrever esses coisas sofridas, melosas e sentimentais demais.
Se eu não escrevesse tais coisas, estaria negando uma parte de mim, que muito se afeiçoa aos amores impossíveis e aos sentimentos tórridos.
Um abraço da @ericona.
Até a próxima.

O que é, o que é?



Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...

E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...

Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...

Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...

Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...


* * *

Depois que eu melhorei do susto da madrugada de segunda, comecei a lembrar dessa música e agradecer pela minha vida. Viver é lindo, apesar dos pesares. Vivamos, cantemos, amemos! Façamos a nossa passagem por essa terra valer muito a pena. Depende de nós. Sejamos felizes. Essa é a dica de hoje.
Um abraço da @ericona.
Até sábado!

Tri Arretadas com vodca e gelo, sim?


As Gurias Arretadas é uma história um tanto quanto interessante. Formado por seis meninas espalhadas pelos cinco cantos do país, é um blog aonde a diversidade de opiniões, gosto musicais, comportamentos, entre outros desfilam lado a lado com temas variantes e conversas eternas, de um potencial incrível, porém pouco utilizado, tendo em vista que dado ao seu pouco período de criação muitos assuntos ainda não foram explorados, ou abordados de modo a ser aprofundado depois. Poderíamos escrever sobre moda, tendências de cores de cabelo, garotos perfeitos, etc. Poderíamos, mas nossa questão é bem mais real, na medida em que não se baseia somente em sonhos de consumo, mas talvez no cotidiano de cada uma, e isto é concreto, ou pelo menos julgo dizer.

Eu o enxergo como uma ferramenta de socialização, diversão e criatividade que gera novas ideias, e consequentemente interação, embora esta “interação” nem sempre se manifeste nos comentários de um post. Mas há três razões que podem compreender estas ferramentas: blog coletivo, que prevalece a coletividade; divertido, porque cada uma tem sua maneira de ser, e isto por vezes complementa umas as outras; criatividade e liberdade para expor ideias, sem que elas se tornem necessariamente “mas do mesmo” de nossos blogs pessoais, ou por vezes tragam a discussão de um blog para outro.

De todos os três espaços “parcerísticos” que já fiz parte, as Gurias Arretadas é, sem duvida, o, mas desafiante, na medida em que ceder ao coletivo nem sempre é pessoalmente atraente e boas ideias para posts legais “não caem do céu”. Isto nos impulsiona a repensa atitudes e velhos hábitos egoístas “do eu sozinho”, bem como o “cara, eu preciso me reinventar”. É inegável dizer que somos atualmente como uma família, na medida em que conversarmos, brigamos, damos altas risadas, choramos juntas e nossa relação estabelecida no mundo virtual ultrapassa para o mundo real, se manifestando de formas diversas e surreais, nos fazendo importantes umas para outras. (Se você duvida, é porque ainda não nos conheceu de verdade).      

Talvez o G.A não seja tudo isto, e eu apenas esteja “embelezando-o”, mas esta é minha percepção do momento, e que pode não ser a mesma amanhã. Como disse uma vez a guria que nos uniu “o G.A pode ser bem mais divertido nos bastidores”, ou algo mais ou menos parecido, e tenho que concordar com ela, pois a meu ver a “conversa eterna” seria um livro no mínimo bem legal, cheios de detalhes picantes, intrigantes e engraçados. (E que vocês vão morrer sem descobrir o porquê - rs).

Dado ao futuro incerto do blog, não há muito que se dizer quanto ao que eu espero daqui alguns anos com relação ao mesmo, mas uma coisa que eu espero que seja “eterna” é as amizades que conquistamos a partir dele, e acho que isso é o que importa. Bom, é isto. Por enquanto.

P.s: Sem ideias para um titulo melhor. Desculpem.

P.s2: O “livro das conversas eternas” é brincadeira de minha parte.  

P.s3: Texto escrito durante as ultimas férias do blog. 

Sensações


Eis a verdade, estou te perdendo. Receava que isso acontecesse, mas suas palavras me fizeram acreditar no contrário. Entretanto, a cada dia tudo fica mais límpido. Há um furacão de sensações em meu ser, nada faz sentido. Ainda estou aqui, esperando acordar desse pesadelo, todavia não estou dormindo. Preciso me posicionar, no entanto estou travada de medo. Não sei o que se passa na sua mente, tampouco o que tu sentes, contudo não tenho saída. Gostaria de ter acesso aos teus pensamentos, mas isso é impossível. Estou em uma roleta russa, portanto vou arriscar. Não penses que está sendo fácil, pois não está. As sensações dentro de mim estão indomáveis, a cada expiração uma fina camada de água recheia meus olhos, enquanto tento me manter calma. Sei exatamente o que sinto, porém também sei o quão importante és para mim. A tênue linha que separa a loucura da razão ameaça se romper de minuto em minuto, todavia por alguma razão existe algo que a mantêm firme. Enfim, é hora de colocar em pauta determinados assuntos, antes que o furacão de sensações destrua o pouco que me resta de lucidez.

O direito de ler em qualquer lugar


“Châlons-sur-Marne, 1971, inverno.

Caserna da Escola de Aplicação de Artilharia.

Na distribuição matinal de tarefas, o soldado de segunda classe Fulano (Matricula 14672/1, bem conhecido de nossos serviços) se apresenta sistematicamente como voluntário para a tarefa menos popular, a mais ingrata, distribuída com frequência a título de punição e que atinge a honra dos mais aguerridos: a lendária, a infamante, a inominável tarefa das latrinas.

Todas as manhãs,
Com o mesmo sorriso. (Interior.)

- Tarefa das latrinas?

Ele dá um passo à frente:

- Fulano!

Com a gravidade última que precede o assalto, pega a vassoura de onde pende o pano de chão, como se fosse o estandarte da companhia, e desaparece, para grande alívio da tropa. É um bravo: ninguém o segue. O exército inteiro continua protegido na trincheira das tarefas honrosas.

As horas passam. Acredita-se que ele se perdeu. Quase se esquecem dele. Esquecem-no. Ele reaparece, entretanto, no fim da manhã, batendo os saltos das botas para o relatório ao sargento da companhia: “Latrinas impecáveis, meu sargento!”. O sargento recupera vassoura e pano de chão com uma profunda interrogação nos olhos, que ele não formula jamais. (Respeito humano o obriga). O soldado saúda, faz meia-volta, se retira, levando o segredo com ele.

O segredo pesa um bom peso no bolso direito do blusão: 1.900 páginas do volume consagrado às obras completas de Nicolai Gogol. Quinze minutos de pano de chão contra uma manhã de Gogol... Cada manhã. Faz dois meses de inverno, confortavelmente sentado na sala dos tronos, fechada com duas voltas, o soldado Fulano voa muito acima das contingências militares. Todo Gogol! Das nostálgicas Noites na fazenda de Dikanke às hilariantes Novelas, passando pelo terrível Taras Bulba e a negra farsa das Almas mortas, sem esquecer o teatro e a correspondência de Gogol, esse incrível Tartufo.

Porque Gogol é o Tartufo que Molière teria inventado, o que o soldado Fulano não teria jamais entendido se tivesse oferecido aquela tarefa a outros.
O exército gosta de celebrar os feitos de armas.

Desse nada resta, senão dois alexandrinos, gravados no alto do metal de uma caixa de descarga e que contam entre os mais suntuosos da poesia francesa:

Oui jê peux sans mentir, assieds-toi, pédagogue,
Affirmer avoir lu tout mon Gogol aux gogues.*

(Por sua vez, o velho Clemenceau, “o Tigre”, um famoso soldado, ele também, era agradecido a uma prisão de ventre crônica sem a qual, afirmava, não teria tido jamais a felicidade de ler as Memórias de Saint-Simon).

*Sim posso mentir, senta-te, pedagogo, Afirmar ter lido todo meu Gogol nas privadas”. (Tradução livre – No livro).  Ou “Sim, posso mentir, porém senta-te pedagogo, pois lhe afirmo ter lido todo o meu Gogol nestas privadas”. (grifo meu – Porém, com mera dedução).”

(PENNAC, Como um Romance, L&PM POCKET, 2008, p. 143/144, Brasil; França, Rocco - 1993).

“O direito de ler em qualquer lugar” é o 7° direito do leitor, enumerado pelo autor Daniel Pennac. Assim como: O direito de não ler; O direito de pular páginas; O direito de não terminar um livro; O direito de reler; O direito de ler qualquer coisa; O direito ao bovarismo; O direito de ler uma frase aqui e outra ali; O direito de ler em voz alta e O direito de se calar. (Interessante, não?). Desse modo, o texto alheio dessa semana trás um pequeno trecho do livro “Como um Romance” do autor Daniel Pennac. Eu o escolhi, porque fazia alguns dias que andava com vontade de ler alguma coisa não tão acadêmica, mas também não tão fora deste ramo, assim, o elegi como o livro desta impaciência. Para quem não o conhece, mas gosta de belas resenhas e analises repletas de formas irônicas, poética e humorística este é um prato cheio. Entretanto, estou falando do texto e não do livro como o todo. Por isso, sinta-se a vontade para lê-lo assim que puder.

P.s: Bom, é isso. Já falei demais. Vou voltar para minha leitura regada a muito rock and roll... Beijão para vocês!!!